quarta-feira, 3 de julho de 2013

O longo caminho das microalgas rumo à escala comercial


Tanque de algas na inauguração da planta piloto de cultivo de microalgas para produção de biodiesel em Extremoz / RN. (Foto: Petrobras)

Considerada uma das matérias-primas mais promissoras para a produção de biocombustível, as microalgas recebem altos investimentos em pesquisa e atraem empresas para o Brasil.

Entre os principais processos que vêm sendo desenvolvidos para a produção de biocombustíveis a partir de algas, está a fermentação do açúcar das algas para a produção de óleos, como é feito pela empresa norte-americana Solazyme, que anunciou em abril do ano passado a formação de uma joint venture com a Bunge para atuação no Brasil. O objetivo é associar a tecnologia de produção de óleos renováveis da Solazyme à capacidade de produção e processamento de cana-de-açúcar da empresa de alimentos.

Outro processo compreende a criação de microalgas em grandes lagos artificiais, dentro de um sistema controlado. “As algas, que possuem propriedades fotossintéticas, crescem em tanques abertos e, em seguida, as células de algas são colhidas e o óleo é extraído”, explica Jim Sears, que é membro do IEEE e presidente da A2BE Carbon Capture LLC. 

Segundo o especialista, neste caso, a densidade das algas é um fator limitante, porque o rápido crescimento faz com que elas sombreiem a luz umas das outras, o que trava o processo de fotossíntese e multiplicação. Por isso, outra linha de pesquisa trabalha com sistemas fechados, com a produção das microalgas em tubos, que recebem a luz do sol por meio de fibras óticas.

A usina que está sendo instalada em Pernambuco pela empresa austríaca SAT (See Algae Technology), em parceria com o grupo brasileiro JB, aposta nesse modelo de ‘fazendas verticais’, associando ainda a produção de microalgas à captura de gás carbônico gerado pela produção de etanol. A expectativa é que a nova planta de biocombustível de algas entre em operação no último trimestre de 2013.

A brasileira Petrobras não fica atrás nesta corrida tecnológica. Desde 2006, criou o programa Redes Temáticas, voltado para o relacionamento com universidades e institutos de pesquisas. “Estamos trabalhando duro para transformar expectativas em dados científicos”, afirma o oceanógrafo Leonardo Bacellar, do CENPES (Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello). “Na carteira de projetos de bioprodutos, no caso específico das microalgas, nós temos iniciativas que contemplam sistemas abertos e fechados, mas não há um consenso definitivo de um ou outro. Existem possibilidades inclusive de acoplamento”, explica o pesquisador. 

Em abril do ano passado, a empresa inaugurou na cidade de Extremoz, no Rio Grande do Norte, uma planta piloto para o cultivo de microalgas para produção de biodiesel, em parceria com a Universidade Federal daquele Estado. O projeto identificou cerca de 10 espécies de microalgas capazes de crescer em água de produção de petróleo e comemora a saída da fase laboratorial. Lá, as microalgas vêm sendo cultivadas em tanques abertos, com capacidade de quatro mil litros.

O desafio da escala comercial 

Apesar das numerosas aplicações possíveis, das iniciativas e dos testes que já estão mudando o pensamento (e o investimento) da indústria, o uso das microalgas em biocombustível ainda está limitado ao campo das pesquisas.

“O maior desafio é a obtenção de alta produtividade, à nossa frente e de todos os pesquisadores”, afirma Bacellar ao comentar sobre o real potencial das microalgas como alternativa de biodiesel. “O que é mais importante: o resultado ou o investimento? Nossas referências mostram que quem realmente atinge o resultado é quem não tem medo de investir”, conclui o pesquisador da Petrobras. 

As empresas do setor que estão apostando no desenvolvimento da tecnologia podem chegar a ter grandes instalações de demonstração de escala operacional em 2015, mas a um custo bem elevado, na opinião de Jim Sears, membro do IEEE.

“Uma vez que o mundo consome atualmente cerca de 30 bilhões de barris de petróleo por ano, apenas para substituir 10% deste fluxo de abastecimento pode custar de US$ 1,5 a US$ 3 trilhões”, afirma Sears. “Num prazo mais curto, menores investimentos nas fazendas de algas irão revelar-se úteis para fornecer uma fonte de combustível de baixo carbono para o transporte aéreo, mas a construção de infraestrutura industrial vai exigir um tempo considerável e investimento.”


Os biocombustíveis de algas que vêm sendo desenvolvidos também precisam passar pelo crivo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) antes da etapa de comercialização.


Fonte: http://sustentabilidade.allianz.com.br

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